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É GRAVE SIM!!! (COVID-19)

Foto do escritor: Gus Blessmann
Gus Blessmann
17 de mar. de 2020
5 min de leitura

Não tem como não escrever sobre o coronavírus (COVID-19) já que só se fala nisso e com razão. O Problema é que o consenso na fala ainda não é o ideal, ou seja, todo mundo ciente do que está acontecendo e tomando as providências o quanto antes para ajudar a diminuir a curva de contágio, mas sim uma série de bobagens e algumas “idiotices” na internet, pessoas que não acreditam , o egoísmo do ser humano indo estocar tudo que pode como se fosse uma corrida pela vida e pra mim o pior e mais irritante… a politização de toda essa situação.

Todo mundo sabe que o primeiro relato de coronavírus foi no inicio de janeiro, ainda me lembro um aluno meu chegando para a aula e comentando:

-Você viu o vírus que vai se espalhar pelo mundo?

-Não.. que vírus?

-Coronavírus, veio da China, e já tem um caso nos Estados Unidos.

-Hum…

Não dei muita bola, e começamos a aula.

Dias depois começaram algumas notícias mais frequentes e com elas a definição que era o mesmo vírus da gripe e que não era pra se preocupar.

Passados alguns meses a situação está assim como vemos hoje. Mas o que acontece? Para o Brasil onde temos a sensação que é o último lugar da terra em que o vírus atingiu, as pessoas não estão nem aí. Tivemos o exemplo da própria China (que precisou construir hospitais), da Coréia do Sul, e da Itália (agora quase toda a Europa ocidental) e ainda assim o Brasileiro pensa que é “bobagem” ou aquela frase clássica: “Sou só eu que acho isso tudo um exagero”?

Em conversas com AMIGOS, e alguns deles PROFISSIONAIS DA SAÚDE, eu fui chamado de ‘chato’, ‘alarmista’, ‘exagerado’ e quando disse que o ideal era cancelar todos os eventos sociais (mandei um whapp para um amigo que estava em uma janta) recebi um “deixa de chato, vamos seguir vivendo”. Eu até compreendo eles pois duas semanas atrás era eu quem estava nessa situação e com esse pensamento. E falando com o meu amigo Michelangelo na Italia consegui ver a REAL GRAVIDADE da situação. Então vou tentar explicara nesse relato de forma bem breve e sucinta como as coisas aconteceram:

ESTAGIO 1:

-Você sabe que o coronavírus existe, e os primeiros casos começam a aparecer no seu país.

-Nada para se preocupar, é só uma gripe um pouco pior!

-Eu não tenho 75 anos ou mais, então o que poderia acontecer comigo?

-Estou seguro, todo mundo está exagerando, qual a necessidade de usar máscaras ou estocar papel higiênico?

-Vou continuar vivendo minha vida normalmente, não é preciso entrar em pânico.

ESTÁGIO 2:

-O número de casos começa a aumentar.

-Eles declaram uma ou duas pequenas cidades como "zonas vermelhas", onde foram encontrados os primeiros casos e muitas pessoas foram infectadas (22/Fev)

-Bom, isso é triste e um pouco preocupante, mas estão cuidando disso, então nada que seja motivo de pânico.

-Algumas mortes, mas todas de pessoas mais velhas, então a mídia só está criando pânico por audiência… que absurdo.

-As pessoas continuam levando a vida normalmente… não vou deixar de sair e encontrar meus amigos, não é?

-O vírus não vai chegar em mim. Todo mundo está bem aqui.

ESTÁGIO 3

-O número de casos está rapidamente crescendo.

-Quase dobrou em um só dia.

-Acontecem mais mortes.

-Eles declaram 4 regiões inteiras, onde estão a maioria dos casos, como zonas vermelhas e as colocam em quarentena.

-25% da Itália encontra-se em quarentena.

-Escolas e universidades estão fechadas por decreto nessas áreas, mas bares, empresas, restaurantes, etc. ainda funcionam normalmente.

-O decreto é liberado por alguns jornais antes da hora e então cerca de 10 mil pessoas das zonas vermelhas escapam da região para retornar às suas casas em outras partes da Itália (isso será importante mais tarde).

-A maior parte da população de 75% da Itália continua vivendo normalmente.

-Eles ainda não entendem a seriedade da situação. Em todas as partes dizem para lavar as mãos e sair menos de casa, grandes grupos de pessoas são proibidos, e a televisão te lembra dessas regras a cada 5 minutos.

Mas isso ainda não entrou na cabeça das pessoas.

ESTÁGIO 4:

-O número de casos cresce rapidamente.

-Escolas e universidades estão fechadas em todo o país por pelo menos um mês.

-É uma emergência de saúde nacional.

-Os hospitais estão lotados, e unidades inteiras são esvaziadas para abrir espaço para pacientes com coronavírus.

-Não há médicos ou enfermeiros suficientes.

-Profissionais aposentados ou em formação (nos últimos 2 anos da faculdade) começam a ser chamados.

-Não existem mais turnos, apenas trabalhar o máximo que conseguir.

-Obviamente médicos e enfermeiros estão sendo infectados, contaminando suas famílias.

-Existem muitos casos de pneumonia, muitas pessoas que precisam ser internadas na UTI e não há lugares suficientes para todos.

-Nesse momento é como estar em uma guerra: os médicos têm de escolher quem tratar baseado na chance de sobrevivência. (ESCOLHA DE SOFIA).

-Isso significa que os idosos e pacientes com traumas/derrames não podem ser tratados por que o casos do corona têm prioridade.

-Não há recursos suficientes para todos e eles tem que ser distribuídos da maneira mais eficiente.

Eu gostaria de estar brincando mas isso é literalmente o que aconteceu.

-Pessoas morreram por que não havia mais lugares disponíveis.

-Enfermeiras veem pessoas morrendo e não podem fazer nada além de oferecer oxigênio.

-O coronavírus e a crise sendo provocada por ele é só o que se vê e ouve em todos os lugares.

É caótico, o sistema está em colapso.

ESTÁGIO 5:

Lembra das 10 mil pessoas que correram da zona vermelha para o resto da Itália?

-Bom, o país inteiro agora precisa ser declarado em quarentena.

-O objetivo é diminuir a proliferação do vírus o máximo possível.

-As pessoas podem ir ao trabalho, fazer compras, ir à farmácia e todo o comércio continua aberto, senão a economia entraria em colapso (e já está), mas você não pode sair da sua região sem uma razão válida.

-Agora há medo, você vê muitas pessoas com máscaras e luvas, mas algumas pessoas ainda pensam ser invencíveis e vão a restaurantes em grandes grupos, saem para beber com amigos, etc.

ESTÁGIO 6:

-2 dias depois, é anunciado que a maioria dos comércios está fechada: bares, restaurantes, shoppings, lojas, etc.

-Tudo menos supermercados e farmácias.

-Você pode sair de casa apenas se possuir uma certificação com você.

-Essa certificação é um documento oficial em que você declara seu nome, de onde vem e para onde vai e por que.

-Existem muitos pontos de verificação da polícia.

-Se você é encontrado fora de casa sem uma boa razão, você pode receber uma multa de até €206.

-Um paciente sabidamente positivo para o coronavírus, se sair de casa sem autorização, pode ser preso por 1 a 12 anos, por tentativa de homicídio.

CONCLUSÃO:

Essa era a situação no dia 12 de Março.

-Saiba que tudo isso aconteceu em cerca de 2, 3 semanas.

PASSARAM-SE 10 DIAS DO ESTÁGIO 3 ATÉ HOJE.

Somente agora China e Coréia estão se recuperando, e só estão se recuperando pois tomaram essas medidas drásticas que são chamadas de EXAGERADAS por pessoas que conheço. Os relatos são que o governo italiano fez um bom trabalho mas infelizmente não foi suficiente para o estágio que foi “detectado”. Não tenho conhecimento de causa sobre o governo italiano para dizer mas o governo brasileiro tem nos mostrado através dos anos que não parece estar muito preparado para essa situação (espero estar errado).

Aqui no Canada, iniciamos a “self quarantine “ com uma certa antecedência, e mesmo assim os casos dobraram nos últimos 2 dias.

Então assim: Existem casos no Brasil, a ESCALAIBILIDADE é muito alta e o Brasil teoricamente está há 1-2 semanas deste relato acima, por ser um país continental a consequência pode ser desastrosa e imensamente triste.

Então, não sei que número de pessoas meu texto vai atingir, mas QUEM PUDER fazer quarentena, FAÇA, e pare de ficar choramingando na internet que quarentena é pra quem pode e que o mercado “blá blá blá” e etc… Os prejuízos financeiros JÁ SÃO FATO, não há o que fazer, a economia, vai sofrer… mas se você AINDA NÃO entendeu isso… é uma pena.

UPDATE: Quando o assunto é medicina não trabalhamos com opiniões. Existem posicionamentos e casos como os de vírus e doenças os posicionamentos são revistos quase que diariamente conforme a doença avança e se modifica. O argumento que JOVENS E CRIANÇAS NÃO MORREM já caiu por terra.. então… pare de usar isso na sua desculpa para “seguir a vida”.

Beijos e abraços, fiquem todos bem e LAVEM BEM AS MÃOS.



 
 
 

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