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KETTLEBELL SWING: Swing Russo X Swing Americano. Qual é o melhor?

Foto do escritor: Gus Blessmann
Gus Blessmann
30 de mar. de 2020
4 min de leitura

Para mim, o Kettlebell Swing é um dos MELHORES exercícios que existem. Sim, se não o MELHOR. Minha dúvida fica entre o Kettlebell Swing e o Get up, mas isso é papo para outro artigo. Enfim, um exercício que engloba potência de quadril (no padrão de dominância de quadril) estabilização de CORE entre outros benefícios. Um exercício que pode ser usado tanto no treino de força quanto no treino aeróbico, com bons complexos. É um exercício muito técnico e como dizem se for bem executado pode ser EXTREMAMENTE benéfico, mas se não for executado com a devida acurácia técnica pode até mesmo lesionar. Para quem não está muito familiarizado e não sabe de que exercício estou falando, é aquele exercício em que balançamos o kettlebell entre as pernas e ele “flutua” até a altura do peito… ahhhh sim, vocês também podem ter visto esse exercício com o Kettlebell indo acima da cabeça (overhead), é o que eles chamam de “Swing americano”.

Se eu disser que esse tipo de execução é errada, vou estar arrumando uma treta sem tamanho com o pessoal do Crossfit, e com quem “gosta” de executar dessa forma, então eu prefiro explicar o motivo que ele começou a ser executado assim, as implicações, e explicar o porquê eu não gosto e assim cada um tira suas próprias conclusões.

Só lembrando que o hard style é a forma clássica do kettlebell training que veio da Rússia e tem mais de cem anos de história. Já o Swing americano foi criado nos EUA pelo pessoal do Crossfit… mas por quê? Como todos sabem o Crossfit é uma competição, e alguns dos movimentos os juízes tem que “validar “ para que seja dado o “count”(para que o movimento conte). No hard style (vamos chamar de “swing russo”) o mestre Fabio Zonin costuma dizer, são os “50 shades of Grey” (50 tons de cinza), o que significa que não existe um ponto EXATO para o kettlebell parar na altura do peito para configurar o movimento correto, e sim uma área "aceitável" , que vai depender do nível de fadiga do executor ou até mesmo de variantes anatômicas. Mas voltando ao Swing americano, imaginem agora em uma competição em que os atletas estão extremamente cansados executando o swing e o kettlebell não chega ao peito, ou chega… os juízes ficam na dúvida se dão o “Count” ou o “NO Count”, diante desta situação eles não tiveram melhor idéia do que levar o kettlebell até o alto, ACIMA DA CABEÇA. Para níveis de contagem, ok… mas ai? E as outras variantes?

Quem já fez meus cursos ou já trabalhou comigo sabe muito bem que para qualquer exercício eu uso a premissa de Mike Boyle: Para quem? Por que? E se vale a pena?

Se formos analizar o kettlebell swing tradicional como eu já disse ele é um exercício de padrão de movimento de dominância de quadril, aonde utiliza a força do kettlebell de forma balística e usa vetores de força para ativar musculaturas e/ou estabilizar articulações. Uma das características do exercício é que O BRAÇO NÃO EXERCE FORÇA SOBRE O KETTLEBELL, e sim deve se comportar como um pêndulo, um elo de ligação entre o corpo e o kettlebell justamente para não deixar o kettlebell seguir a trajetória natural do movimento (para frente “float” ou para trás “Back swing”). Então vamos utilizar o raciocínio de Mike Boyle para tentar entender o “SWING AMERICANO”.


POR QUÊ?

Se o Kettlebell swing é um exercício de potência de quadril que engloba também a ativação do CORE (consequentemente estabilidade lombar) POR QUE eu vou levar o kettlebell acima da cabeça se o braço não deve fazer esforço e deve trabalhar somente como pêndulo?


PARA QUEM?

Kettlebell swing tradicional é um exercício excelente que pode ser utilizado por TODOS, desde que seja feito com técnica, mas se sabemos que uma grande porcentagem das pessoas que sofrem com POUCA MOBILIDADE ARTICULAR NO OMBRO, quando levam um peso sobre a cabeça (overhead) com ambos os braços essas limitações acabam fazendo um rotação interna de ombro e acabam COMPENSANDO O MOVIMENTO com a HIPEREXTENSÃO LOMBAR (uma articulação que teoricamente deveria estar sendo estabilizada com esse exercício). Isso sem contar o "pescoço de pombo". Essa pessoa deve mesmo fazer esse exercício? (Swing americano)


VALE A PENA?

Reforçando que quando falamos de Crossfit, falamos muitas vezes de volumes muito altos (várias repetições) e em alguns casos vem acompanhados de intensidades altas também (cargas elevadas). O que acaba levando o atleta a executar o movimento até a falha. E se juntarmos todos os pontos acima esse movimento pode ser extremamente prejudicial e danoso para o atleta. Sem contar que se formos analizar BIOMECÂNICAMENTE a FUNÇÃO do deltóide anterior (musculatura principal para a elevação frontal de ombro) é MINIMA para esse exercício, já que o propulsor do kettlebell (motor) é o quadri (glúteos) e ele que faz 80% do trabalho de impulsionar o kettlebell. E ai? Vale a pena?


Então, resumindo, eu não consigo ver LÓGICA em levar 24kg, 32kg acima da cabeça se não existem MAIORES benefícios para braços e ombros, já que o Swing é um exercício de DOMINÂNCIA de QUADRIL.


Para concluir: Eu acho que o Swing americano é errado?

Sim EU ACHO! (Minha opinião)

Nunca utilizei e nunca utilizarei com meus alunos / atletas por que não há LÓGICA nesse movimento, a não ser pelo motivo que ele foi criado, identificar um “movimento completo” para uma contagem de repetição em uma competição de Crossfit.


Ahhhh mas e o Snatch??? O kettlebell é levado até a posição overhead!!!

He he he…


Deixa a polêmica tomar forma que eu faço a segunda parte desse artigo.

Beijos e abraços!!!



 
 
 

1 comentário


Thiago Trindade
Thiago Trindade
27 de set. de 2022

Perfeito! Eu compactuo do mesmo pensamento. Muito prazerosa a leitura 👏

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