GAME CHANGERS - A Beterraba, o Supino, a carne e a inflamação. (PARTE 6)

Já pensou em ser exatamente igual ao POPEYE? Exatamente como o desenho animado, uma simples lata de espinafre te deixando mais forte? Então, segundo James é só trocar o espinafre pela BETERRABA...
Ok, eu vou explicar: É que no filme ele diz que se você tomar um copo cheio de suco de beterraba o teu desempenho no supino (um dos 4 main lifts) pode ter uma melhora de 19%. (em força) [7]. Portanto, se fosse verdade, eu que tenho um supino de 245 libras (110 kg~), ia conseguir levantar a barra com 295 libras (135 kg~) logo depois de um grande copo de suco (?!) ... não, não… NÃO!!! Não existe isso!!!!
O que ele coloca aqui não é realmente um estudo, e sim um artigo que CITA O ESTUDO da JISSN, ou seja, o filme fala a citação errada que busca evidências para substanciar essa afirmação.
Como foi o estudo: os participantes suplementaram com suco de beterraba ou placebo e, em seguida, fizeram 3 séries até a falha, com 60% de sua RM - repetição máxima. (Lembrando, 100% de 1RM é a carga que você faz em um exercício para apenas 1 repetição, se meu 1RM é 100 kg, 60% é 60 kg.) O grupo que suplementou com beterraba completou 19% mais repetições no total, indicando que a beterraba pode de fato ter alguns benefícios anti-fadiga quando é consumida como suplemento, mas isso está longe de ser o grande aumento de força que o filme mostra. Mais uma vez, a realidade é muito diferente do que é retratado pelo filme, e temos novamente um estudo colocado COMPLETAMENTE fora do contexto. Acho que o James deve ter perdido isso nas suas 1000 horas de revisão de estudos científicos que ele fez, afinal é “muita hora”… o cara cansa né? Também é importante observar que o estudo não encontrou diferença entre os grupos para indicadores de fadiga muscular, não propôs nenhum mecanismo para explicar as diferenças e os resultados deste estudo não foram replicados. Na melhor das hipóteses, parece que os suplementos de suco de beterraba podem ter um efeito anti-fadiga, mas eles não vão te dar 19% de força no teu supino.
E aqui é onde o estudo crava: "Os resultados indicam que o suco de beterraba administrado em dose única ou em alguns dias pode melhorar o desempenho em esforços intermitentes e de alta intensidade com curtos períodos de descanso. As melhorias observadas foram atribuídas à ressíntese mais rápida de fosfocreatina, o que poderia atrasar sua depleção durante esforços repetitivos de exercício. Além disso, a suplementação de suco de beterraba pode melhorar a produção de energia muscular através de um mecanismo que envolve uma velocidade mais rápida de encurtamento muscular. As descobertas de alguns estudos também encontraram alguns indicadores melhores de fadiga muscular, embora o mecanismo envolvido nesse efeito ainda não é certo”.
E eles também reconhecem que a quantidade de dados disponíveis é extremamente escassa.
Logo depois vem mais uma dose de informação tendenciosa, nesse caso desinformação mesmo. Fazendo uma relação entre Consumo de carne e inflamação James menciona que um “pé” de alface contém mais antioxidantes do que um pedaço de salmão. O que seria exatamente a mesma coisa se ele tivesse dito que a cenoura tem mais fibras do que uma almôndega. Os antioxidantes são muito mais abundantes nas plantas do que nos animais, simplesmente porque a maioria deles são vitaminas e minerais, e estes micronutrientes são degradados no trato digestivo de um animal. Sim, um dos benefícios de comer plantas é que nós recebemos mais cargas de antioxidantes. E logo, comer carne não anula o impacto positivo desses antioxidantes.
Havia estatística nesta parte do documentário que "mudar para uma dieta baseada em plantas pode reduzir a inflamação em 29% em apenas 3 semanas”.[8]. Embora este estudo mostre que a adição de frutas e vegetais à sua dieta diminui a proteína C-Reativa (PCR - é uma proteína produzida pelo fígado, cujos níveis aumentam de valor quando há alguma inflamação no corpo), ele NÃO RECOMENDA UMA DIETA EXCLUSIVA de plantas. Os pesquisadores também reconhecem que seu escopo é limitado em três semanas e não houve avaliação de acompanhamento.
O que novamente não retrata a realidade já que um estudo [9] sugeriu que a inflamação é diretamente relacionada com o aumento da gordura corporal, não necessariamente com o consumo de carne vermelha. Curiosamente, uma revisão sistemática de mais de 1100 estudos demonstrou que não houve diferença na inflamação em indivíduos saudáveis que consumiram mais de 250 gramas de carne vermelha por semana do que indivíduos que ingeriram menos de 250 gramas de carne vermelha por semana. [10]
Logo adiante o filme a esposa de um jogador vegano da NFL (Derrick Morgan) aparece cozinhando refeições "saudáveis" veganas para alguns colegas da equipe, incluindo “asas de frango” vegano, macarrão com queijo vegano, hambúrgueres veganos e cheesecake de manteiga de amendoim vegana. (Vocês também não odeiam quando colocam o nome de uma comida originalmente feita com carne e adicionam o “vegano”?) Todos esses alimentos são muito processados e muito densos em calorias, mas estão implícitos como "saudáveis", pois são veganos. Um estudo que examina as respostas inflamatórias ao queijo vegano X queijo normal representa uma história diferente. Neste estudo, eles alimentaram pessoas com sobrepeso, com queijo cheddar comum ou queijo vegano, e examinaram a resposta inflamatória. [11] Eles descobriram que o queijo vegano realmente causou um aumento maior no marcador inflamatório PCR do que o queijo comum!
Mas, surpreendentemente, James não sentiu a necessidade de incluir este estudo no filme. Deve ter esquecido…
(Continua…)
[7] - Ingestion of a Nitric Oxide Enhancing Supplement … – NCBI.” ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27050244
[8] - https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25637150
[9] - “Isocaloric Diets High in Animal or Plant Protein Reduce … – NCBI.” 17 Oct. 2016, ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27765690
[10] - “Dietary Red and Processed Meat Intake and Markers … – NCBI.” 19 Jun. 2017, ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5540319/
[11] - “Consumption of a high-fat meal containing cheese compared … – NCBI.” ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27313852





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